Cartas de São Padre PioCartas de São Padre Pio
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04 de setembro de 2026

Lançar-se nos braços de Jesus

O trecho lido neste episódio

“Parece-me que uma nova coragem desce docemente em meu coração. Que se faça então o que ele decretou.”

Na experiência cotidiana, a cruz é um caminho que não se reduz à dor, mas interpela sobre o uso do que não se escolheu. O cristão precisa distinguir entre os sacrifícios voluntários — penitência, renúncia, gestos de caridade — e as provas que chegam sem pedido. A dificuldade mística que isso provoca é acolher o que atravessa a vida, oferecendo-o sem confundir a própria entrega com resignação estéril. A carta de São Padre Pio ilumina esse movimento ao mostrar a origem da força humana: a coragem que não se produz, mas desce como dom. A verdadeira resistência espiritual nasce do reconhecimento de que a coragem vem como dom de Deus e sustenta a alma quando ela percebe que sozinha não consegue continuar.

O gesto central que se propõe é o abandono confiante: lançar-se nos braços de Jesus. Não se trata de abdicar da ação responsável; antes, consiste em fazer aquilo que está ao alcance e, em seguida, deixar nas mãos de Deus o que não depende de si. A fé, então, muda de estatuto — deixa de ser explicação das causas e passa a ser abandono confiante. Aceitar que algo não era o desejado e permanecer em Deus é o sinal de uma confiança madura. Ainda segundo a carta, existem efeitos interiores desse abandono: aquilo que atormenta o espírito pode diminuir quando a alma se coloca com confiança nos braços de Cristo.

Essa experiência também transforma o sentido da cruz. Com Jesus, ela deixa de ser peso suportado sozinho e torna-se lugar de encontro. A entrega não exige necessariamente grandes penitências, mas a prática concreta de confiar: entregar uma preocupação que se tenta controlar, aceitar com paciência uma contrariedade, perdoar ou carregar com amor aquilo que custa. Unidos a Jesus crucificado, os sofrimentos não desaparecem sempre, mas perdem a exclusividade de serem suportados sem companhia.

O chamado final é à entrega cotidiana: nomear o que se pode fazer e abandonar com confiança o que não se pode mudar. Aprender com São Padre Pio a acolher o dom da coragem que desce ao coração e a lançar-se nos braços de Jesus torna a vida de sexta-feira — e de cada dia — um caminho de encontro com o Amor que sustém.

Para a sua oração

O que hoje você precisa deixar de tentar controlar e entregar, com confiança, nos braços de Jesus?

Senhor Jesus, há coisas que eu gostaria de mudar, respostas que gostaria de ter e situações que insistem em fugir do meu controle. Dá-me a coragem de fazer com responsabilidade aquilo que está ao meu alcance e a confiança para entregar a Ti tudo aquilo que eu não posso mudar. Quando me faltarem forças, faze-me lembrar que não preciso sustentá-las sozinho. Coloca em meu coração aquela coragem que vem de Ti e ensina-me a me lançar, com confiança, em teus braços. Que eu não fuja das cruzes que a vida me apresenta, nem as carregue como se estivesse sozinho. Une cada preocupação, cada contrariedade e cada sofrimento à tua Cruz, para que também neles eu possa encontrar tua presença. Jesus, eu confio em Ti. Recebe aquilo que hoje pesa em meu coração e ensina-me a descansar em tua vontade. Que, como São Padre Pio, eu aprenda a abandonar-me cada dia mais em teus braços. Amém.

Folha devocional

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Texto gerado por inteligência artificial a partir da reflexão em vídeo do Padre Wallace Teixeira, e revisado antes da publicação.

Transcrição completa

O que foi dito no vídeo, palavra por palavra.

Santo dia, meu irmão, minha irmã, que alegria te encontrar aqui para rezarmos juntos através das cartas de São Padre Pio e ali entrar dentro do seu coração. Estou me recuperando de uma cirurgia, mas em breve já vamos estar totalmente restabelecidos. Mas hoje, que é dia de sexta-feira, dia de jejum, dia de sacrifício, ela nos conduz, dia de sexta-feira nos conduz, inevitavelmente à cruz; todo sacrifício é válido. A cruz cristã não é simplesmente a contentuação da dor, ela nos coloca diante de uma pergunta muito mais profunda. O que nós fazemos com aquilo que nós não escolhemos? O que nós fazemos com o que nós não podemos escolher? O que há sacrifício na nossa vida é que nós decidimos oferecer uma penitência, uma renúncia, um jejum, um gesto de caridade que nos custa, mas existem outros sacrifícios que nós não escolhemos. Podem ser contrariedades, provações, limites, situações que simplesmente chegam à nossa vida e nos atravessam. E talvez essa seja uma das vias mais difíceis de experimentarmos espiritualmente. Essa via mística, talvez essa seja a via mística espiritual mais difícil de enfrentar. Aprender a entregar também aquilo que nós não escolhemos. São Padre Pio conheceu profundamente esse caminho. Na carta, uma das suas cartas que nós estamos lendo essa semana, ele fala das aflições, dos combates espirituais que ele enfrentava, que ele reconhece que havia momentos de verdadeira angústia, só que no entanto ele escreve algo belíssimo. Conservo a alegria da alma, não significa que não doesse, não significa que ele não sofresse, mas havia dentro dele um lugar que continuava pertencendo a ele. Ele explica de onde vinha essa força. Na carta dele ele diz assim: parece-me que uma nova coragem desce docemente em meu coração. Veja isso, que interessante. Ele não diz que eu produzo coragem, ele diz que a coragem desce ao seu coração; é graça, é dom, é dado por Deus, é Deus sustentando uma alma que percebe que sozinha não consegue continuar. E aí então nós chegamos talvez ao gesto espiritual mais importante desse dia. Padre Pio escreve assim: então lança-me com confiança nos braços de Jesus. Essa imagem precisa estar gravada no nosso coração nesta sexta-feira. Lançar-se aos braços de Jesus. Porque há momentos em que nós não teremos resposta. Há situações que não conseguiremos compreender. Ontem conversava com um filho paroquiano que vive um processo de luto e que não tem o que compreender. Há coisas que nós gostaríamos de mudar, ah, mas naquele momento realmente não podemos. Nessas horas a fé deixa de ser uma explicação. A fé torna-se um abandono. Abandonar-se em Deus não significa desistir. Não significa cruzar os braços, muito menos procurar o impedimento. Significa dizer: Senhor, farei aquilo que está no meu alcance, mas aquilo que não está eu entrego a Vós. E aí o filho continua na sua carta: que faça-se então o que ele decretou. Devemos ter a certeza de que fizemos o que está ao nosso alcance. Aqui está uma das exigências mais profundas da vida espiritual: deixar de querer controlar tudo para permitir que Deus nos conduza. E o próprio texto que nós estamos meditando conta isso como um despojamento da vontade própria. Não é deixar de ter vontade; o filho sempre nos ensina a falar o que nós queremos com Deus. É deixar de transformar nossa vontade na condição para permanecermos fiéis. Eu posso colocar a minha condição, o meu querer, mas se eu termino a minha oração, me abandonando na vontade de Deus. É fácil dizer: Senhor, eu confio em vós quando tudo está acontecendo como nós desejamos. A confiança começa a amadurecer quando nós conseguimos dizer: Senhor, isso não era o que eu queria, mas eu continuo em vós. E aí existe outra expressão que Padre Pio pode nos iluminar nesta sexta-feira: ele diz que aquilo que atormenta o seu espírito desaparecia. Está no trecho da carta de hoje, quando "me abandono com confiança nos braços de Jesus." Talvez hoje você não consiga resolver tudo que te preocupa, mas existe algo que você pode fazer. Você pode decidir em qual braço, em quais braços você vai colocar a sua vida. Nesta sexta-feira, quando nós olhamos para Jesus crucificado, nós pertencemos a algo extraordinário: pertencemos a este Deus que nos ama, que se abandona inteiro, a um Jesus que também se abandonou à vontade do Pai. Na cruz ele se entrega inteiramente ao Pai. Não deixou de expressar sua vontade: "Pai, se possível, afasta de mim esse cálice." Por isso, quando nós nos abandonamos nos braços de Cristo, nós estamos também no encontro do próprio coração de Jesus. Talvez seja esse o sacrifício que Deus espera de nós hoje: entrega. Tira das suas mãos, tira de você, entrega. Não necessariamente fazer uma grande penitência, mas talvez o início desta sexta-feira, além da que a Igreja nos pede, seja entregar uma preocupação que nós estamos tentando controlar. Abandona, entrega. Aceita pacientemente uma contrariedade, carrega com amor o que te custa. Ou simplesmente dizer diante de uma situação que não conseguimos mudar: Jesus, eu me abandono em vossos braços. Padre Dolindo, um dos diretores espirituais, São Padre Pio dizia: Jesus, eu me entrego a ti, toma conta de tudo. São Padre Pio descobriu isso: que unido a Jesus crucificado ele podia experimentar algo aparentemente contraditório; em meio às provações, ele encontrava paz, ele encontrava tranquilidade, não porque a cruz tivesse desaparecido, mas porque já não a carregava sozinho. Procuremos Jesus, porque a cruz nos é oferecida; com ele deixa de ser peso e torna-se um lugar de encontro com ele, como ontem, na Eucaristia. Que o Senhor te abençoe. Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Santo dia, Santa tarde, Santa noite. Não se esqueça: reze por mim e Deus lhe pague.

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