23 de agosto de 2026
Santificado por Deus: aceitar o querer de Deus
O trecho lido neste episódio
“Rafaelina está na cruz do bem-amado. Suporta seus sofrimentos com uma admirável resignação. Tenho o coração dilacerado por vê-la assim.”
Todo cristão quer ser santo. Mas, antes de ser obra de quem a deseja, a santidade é obra de Deus. É isso que a expressão santificado por Deus carrega, e é por aí que esta carta começa. São Padre Pio acompanhava espiritualmente uma de suas filhas, Rafaelina, gravemente enferma. Celebrava a missa e depois passava longos momentos ao lado dela. Sabia que ela sofria, e sofria ao vê-la assim — e é isso que escreve ao seu diretor espiritual, sem disfarçar: tenho o coração dilacerado.
Repare que a fé não transformou o coração dele em pedra. Ele não olhou para aquele sofrimento e disse apenas que era vontade de Deus. Isso importa, porque é comum confundir o abandono à vontade de Deus com a ausência de sentimentos — como se confiar significasse não chorar, como se ter fé significasse não sofrer, como se aceitar significasse compreender de imediato tudo o que Deus permite. Padre Pio mostra outra coisa: o coração pode doer e continuar confiando.
Rafaelina morre, e ele sofre profundamente aquela perda. Dias depois escreve uma frase que merece ser lida devagar: esforcei-me por aceitar esse divino querer. Esforcei-me. Ele não diz que foi fácil, não diz que compreendeu, não diz que não sentiu. Diz que se esforçou.
Talvez seja essa a palavra para alguém hoje. Existem coisas que já foram entregues a Deus com a boca, mas que o coração ainda está aprendendo a entregar: uma situação que não aconteceu como se esperava, uma porta que se fechou, um projeto que mudou, uma resposta diferente da que se pediu. A fé não exige fingir que não dói.
E há uma armadilha ainda mais fina. Reza-se pedindo que seja feita a vontade de Deus, mas por dentro se acrescenta: desde que seja esta. Grande parte do sofrimento interior nasce de querer que Deus realize exatamente o plano que alguém escreveu para Ele. Aceitar o divino querer não é deixar de pedir nem deixar de lutar pelo bem; é reconhecer, depois de fazer o que estava ao alcance, que Deus continua sendo Deus.
Para a sua oração
O que você já entregou a Deus com a boca, mas o seu coração ainda está segurando com força?
Senhor Jesus, há coisas que eu ainda não compreendo, situações que eu gostaria que fossem diferentes, respostas que eu esperei e que não chegaram como eu imaginei. Eu não vos peço um coração indiferente: eu peço um coração confiante. Quando doer, permiti que eu chore diante de vós; quando eu não compreender, permiti que eu permaneça diante de vós. E quando a minha vontade encontrar a vossa, dai-me a graça de dizer: Senhor, ajudai-me a aceitar o vosso querer. Amém.
Folha devocional
Esta reflexão, a pergunta e a oração numa página só — para imprimir, guardar ou mandar a alguém.
Texto gerado por inteligência artificial a partir da reflexão em vídeo do Padre Wallace Teixeira, e revisado antes da publicação.
Esta reflexão tocou você? Conte o seu testemunho.