18 de agosto de 2026
Quando Deus parece distante
O trecho lido neste episódio
“Parece que o meu espírito foi todo circundado por trevas e que de nada consigo lembrar-me.”
Vale começar por uma pergunta difícil, daquelas que servem de exame de consciência: você continuaria procurando Deus se durante um tempo não sentisse absolutamente nada? Sem consolação, sem aquela paz que costuma vir depois da oração, sem vontade de rezar, sem perceber resposta alguma.
Porque é relativamente fácil dizer “Senhor, eu confio em vós” com o coração consolado, quando a vontade de Deus coincide com a nossa. Existem dias em que a fé precisa continuar caminhando no escuro — e isso tem nome: maturidade espiritual.
São Padre Pio conheceu esses dias. Ele escreve que o seu espírito parecia circundado por trevas, e que de nada conseguia lembrar-se. Repare na força da imagem: o homem que havia experimentado tão intensamente a presença de Deus já não conseguia sequer recordar o bem que Deus tinha realizado nele. E acrescenta que se sente perturbado no espírito, a ponto de nem um pensamento de Deus lhe ser possível.
Talvez ninguém viva isso com aquela intensidade, mas quase todos conhecem algo parecido: uma caminhada começada com ânimo e depois esfriada, uma oração que ficou árida, uma decisão tomada diante de Deus que dias depois já não tinha a mesma força. É aqui que muita gente abandona o caminho — porque se confunde *sentir* Deus com *ter* Deus, e não são a mesma coisa. É como o peregrino que sobe a montanha: enquanto há sol, vê o caminho e o lugar aonde vai; quando a neblina desce, o caminho não desapareceu — ele é que deixou de enxergá-lo.
E no meio das trevas Padre Pio escreve uma frase que muda o peso de tudo: graças ao céu, nunca perco a confiança nele. Ele não diz que não atravessa a escuridão. Diz que não perde a confiança. Então continue pedindo que a escuridão passe, mas acrescente hoje um pedido: “Senhor, enquanto a luz não chega, não permitais que eu pare de caminhar.” E, na hora da oração, não tente fabricar emoção nenhuma. Fique diante d'Ele, ainda que por três minutos, e diga apenas: “Senhor, eu estou aqui”.
Para a sua oração
O que sustenta a sua oração nos dias em que ela não devolve nada — o sentimento, ou a decisão de ficar?
Senhor Jesus, quando a minha alma estiver consolada, fazei que eu seja agradecido. Mas quando chegarem os dias da aridez, da secura espiritual, fazei-me fiel. Se eu não conseguir enxergar o caminho, segurai a minha mão para que eu seja perseverante, para que eu não desista e não volte atrás — e que eu não construa a minha intimidade convosco baseada em sentimentos. Se eu não sentir a vossa presença, recordai ao meu coração que o Senhor continua presente e que nunca me abandonou. Amém.
Folha devocional
Esta reflexão, a pergunta e a oração numa página só — para imprimir, guardar ou mandar a alguém.
Texto gerado por inteligência artificial a partir da reflexão em vídeo do Padre Wallace Teixeira, e revisado antes da publicação.
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