Transcrição completa
O que foi dito no vídeo, palavra por palavra.
Você já pediu a Deus que aumentasse o seu amor por Jesus? Mas, se Ele começasse realmente a tomar conta do seu coração por inteiro? Santo dia, meu irmão, minha irmã. Que bom te encontrar aqui para o nosso encontro com o coração de São Padre Pio, através de suas cartas. Nessa semana, nós estamos percorrendo o caminho do amor a Jesus com São Padre Pio de Pietrelcina, e hoje entramos na carta escrita por ele no dia 26 de agosto de 1912, como se fosse uma continuidade daquela carta que nós estávamos rezando até ontem.
São Padre Pio conta ao Padre Agostinho, seu diretor espiritual, algo que aconteceu enquanto ele estava na igreja, depois da missa, em ação de graças. É uma experiência mística intensa, mas o mais importante não é ficarmos presos a esse fenômeno extraordinário. O que queremos compreender é o que esse acontecimento revela sobre o amor de São Padre Pio por Jesus e sobre aquilo que Deus estava realizando nele.
Escute: eu estava na igreja a render graças pela missa, quando, de repente, senti o meu coração ser ferido por um dardo de fogo tão vivo e tão ardente que pensei que morreria. Mais adiante, tentando descrever o que ele experimentava, São Padre Pio escreve: meu Deus, que fogo, que doçura.
Veja: fogo e doçura, duas palavras que parecem opostas. O fogo queima, a doçura consola, mas, na experiência de São Padre Pio, as duas coisas aparecem juntas, porque o amor de Deus não é apenas algo agradável, que acaricia nossa vida. O amor de Deus também purifica, transforma e tira de nós tudo aquilo que nos impede de nos conformarmos cada vez mais a Cristo.
É importante compreendermos isso, porque São Padre Pio não está nos ensinando a procurar experiências extraordinárias. A santidade não consiste em sentir coisas especiais. O extraordinário da vida de São Padre Pio só tem sentido porque nos conduz ao essencial: pertencer inteiramente a Jesus. Essa é uma chave muito importante para os devotos, os filhos e filhas espirituais de São Padre Pio. Não é viver em busca do extraordinário na sua vida, mas ser conduzido para o essencial, que é pertencer inteiramente a Jesus.
Porque nós podemos admirar esse dardo de fogo que afetou São Padre Pio e esquecer aquilo que o fogo significa, que é Deus tomando aquele coração, aprofundando nele o amor por Cristo, tornando-o cada vez mais disponível para a vontade de Deus. Então, o que precisamos hoje é nos perguntar: o amor de Jesus já encontrou espaço para me transformar?
Porque existe um fogo que todos nós precisamos pedir: o fogo que consome o orgulho, que purifica os apegos, um fogo que aquece uma oração que ficou fria, que devolve a coragem para amar e perdoar e que nos faz, na verdade, deixar aquilo que sabemos que não combina mais com a vida de quem pertence a Jesus.
Não precisamos pedir experiências extraordinárias, como aconteceu com São Padre Pio. Nós precisamos pedir um amor cada vez mais capaz de tornar a nossa vida comum extraordinariamente fiel. Esse é o ponto: pedir um amor a Jesus capaz de transformar a nossa vida comum de modo extraordinário.
São Padre Pio vive essa experiência mística, mas a sua vida não termina ali. Ele volta à oração, ele volta à obediência, ao serviço, às dificuldades, à missão que Deus lhe confiou. Então, o fogo não o retira da realidade; o fogo do amor de Deus o prepara para viver a realidade de uma maneira nova. E é isso que também vale para nós hoje. As experiências extraordinárias com Deus são para que voltemos para a nossa vida ordinária de uma forma diferente.
Porque, se uma oração não muda a nossa maneira de tratar as pessoas, há alguma coisa que ainda precisa amadurecer. Se a Eucaristia não nos torna mais disponíveis para amar, ainda precisamos deixar Jesus trabalhar mais profundamente em nós. Se dizemos que amamos Cristo, mas continuamos protegendo tudo aquilo que Ele nos pede para entregar a Ele, ainda permanecemos na superfície, e não naquele oceano sem margem que rezávamos durante essa semana.
O amor de Jesus não quer apenas emocionar o coração; Ele quer converter o nosso coração. E aí poderíamos ter uma frase para guardarmos: o fogo de Deus não vem para destruir aquilo que somos; Ele vem para consumir aquilo que nos impede de sermos inteiramente dEle. Vamos repetir isso: o fogo de Deus não vem para destruir aquilo que somos, vem para consumir aquilo que nos impede de sermos inteiramente dEle.
São Padre Pio ainda exclama ao fazer a experiência desse amor: meu Deus, que fogo, que doçura. Porque, quando Deus purifica por amor, até aquilo que custa pode produzir uma paz profunda na nossa vida. Nós descobrimos que há coisas das quais precisamos nos desprender, há vontades que precisam ser entregues ao coração de Jesus, há pecados que precisam ser abandonados, eliminados da nossa vida, há formas de amar que precisam amadurecer na nossa vida também. E tudo isso acontece não porque Deus queira empobrecer a nossa vida, mas porque Ele quer libertar em nós a capacidade de amar mais.
Sendo hoje quinta-feira, essa meditação não poderia nos conduzir para outro lugar a não ser para a Eucaristia. Foi depois da missa, durante a ação de graças, que São Padre Pio viveu aquilo que ele relata nessa carta. E, diante de Jesus Eucarístico, nós podemos fazer uma oração simples: Jesus, não permita que eu me acostume convosco. Acenda novamente em mim o fogo do vosso amor.
Não precisamos sentir fogo algum. Precisamos permitir que Ele transforme alguma coisa em nós: uma escolha, um apego, uma resistência, uma falta de perdão, uma tibieza, uma procrastinação. Porque o sinal mais seguro do amor de Cristo em nós é que Ele está crescendo. Não é aquilo que sentimos durante a oração, mas aquilo que estamos dispostos a entregar depois dela.
Então, não é aquilo que eu sinto durante a oração — que pode ser, sim, uma experiência extraordinária como a de São Padre Pio — o mais importante. O mais importante é o que, depois daquela oração que eu faço, eu sou capaz de fazer; é o que eu entrego depois da minha oração.
Rezemos. Senhor Jesus, hoje eu vos peço para que acenda em meu coração o fogo do vosso amor. Nós vos pedimos a graça de cada vez mais nos assemelharmos ao vosso misericordioso coração. Não vos pedimos experiências extraordinárias. Pedimos a graça de pertencer cada vez mais a vós. Que o vosso amor nos purifique, purifique os nossos afetos, as nossas escolhas, os nossos apegos e tudo aquilo que ainda resiste à vossa graça. Pela intercessão de São Padre Pio, fazei de nós pessoas mais fiéis, mais disponíveis, mais obedientes à vossa vontade e cada vez mais capazes de amar. E, diante da Eucaristia, do vosso corpo e sangue, dai-nos a graça de rezarmos com sinceridade: Jesus, tomai o nosso coração e transformai-o segundo o vosso. Amém.
Que São Padre Pio interceda por você, que São Miguel Arcanjo te defenda no combate, que São José possa te valer em todas as necessidades e que a Virgem Maria, Senhora dos Anjos, possa te cobrir cada vez mais com seu manto. Que o Senhor te abençoe, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Santo dia, santa tarde, santa noite. Não se esqueça: reze por mim e Deus lhe pague.